Há anos venho tentando encontrar uma boa forma de explicar meu papel como Engineering Manager (EM) em uma organização de engenharia. Cheguei à conclusão de que sou uma mistura de mentor, referência técnica e, às vezes, um pouco de gerente de projetos. A verdade é que o EM é um pouco de tudo isso, mas o contexto define o papel, então tudo se resume a um conceito simples e poderoso: o EM faz as coisas acontecerem.
Pensa assim: o EM participa de cada etapa de um ciclo de desenvolvimento, trabalhando com o time de Produto para garantir que o trabalho esteja bem definido, que a equipe tenha o conjunto certo de habilidades, que tudo esteja alinhado com o plano estratégico; trabalha com o time para garantir que os requisitos sejam entendidos, que dependências, riscos e planos de mitigação sejam identificados e definidos; trabalha com os stakeholders para acompanhar relatórios e montar planos de implementação. Tudo isso tentando manter as pessoas motivadas, felizes e desafiadas. Isso, para mim, é o trabalho do EM: ser a "cola" que une essas partes, administrando bem os interesses de cada um para chegar a um processo mais eficiente e uma equipe motivada.
Crescer como EM significa se acostumar a ficar desconfortável, porque você deixa de ter um impacto direto sobre o trabalho e passa a influenciar e convencer outras pessoas do que acredita ser certo, garantindo que as coisas sigam na direção certa, mesmo quando você não está totalmente convencido. Significa deixar outra pessoa dirigir enquanto você indica o caminho do banco de trás; significa confiança. Mas também significa entender que as pessoas merecem as oportunidades certas para crescer, mesmo com um risco alto de fracasso. Você está ali para criar essas oportunidades e acompanhá-las nesse caminho. Quando você percebe que é muito mais satisfatório ver as pessoas superando a si mesmas do que fazer isso você mesmo, está pronto.
Refletindo sobre essa jornada, percebo que ser EM é um trabalho em constante evolução. É sobre adaptabilidade, usar vários chapéus, ser empático, obcecado com um único objetivo: fazer as coisas acontecerem.
O papel do EM faz mais sentido dentro de um contexto: para entender em que ponto de maturidade se espera que esteja alguém que já começa a liderar, vale a pena começar por como se define o seniority de verdade em equipes de desenvolvimento.




