Programando na era da IA: adotando a evolução do desenvolvedor

Um resumo da discussão ao vivo da NodeCO sobre como a IA está mudando o dia a dia de programar, sem perder de vista os riscos de depender demais dela.

Programador trabalhando no desenvolvimento de um código
16 de mar. de 202510 min de leitura
Atualizado em 3 de set. de 2026

Nos últimos anos, a inteligência artificial causou sensação no mundo da tecnologia, e os geradores de código são um dos avanços mais significativos nessa área. Geradores de código são ferramentas que geram automaticamente trechos de código ou até aplicações inteiras usando algoritmos de IA. Essas ferramentas surgiram para automatizar tarefas rotineiras de programação e reduzir o tempo e o esforço necessários para desenvolver software. Alguns exemplos desses geradores de código são o AutoML do Google, o GPT-4 da OpenAI (principalmente por meio do ChatGPT) e o GitHub Copilot.

No entanto, o impacto da IA nos desenvolvedores de software é um tema que gera bastante preocupação. Por um lado, alguns especialistas defendem que a IA vai mudar completamente a forma como os desenvolvedores trabalham, tornando o trabalho deles mais eficiente e produtivo. Por outro lado, existe a preocupação de que a IA acabe substituindo completamente os programadores humanos, tornando as habilidades deles obsoletas.

Para explorar o tema, a comunidade NodeCO organizou uma discussão ao vivo, transmitida pelo YouTube há três meses. Participaram especialistas da indústria, desenvolvedores experientes e entusiastas de IA, e conversamos sobre como os geradores de código e outras ferramentas de IA estão mudando o desenvolvimento de software. Este artigo reúne as ideias e perspectivas que surgiram dessa conversa.

O impacto da IA no desenvolvimento de software

Um dos temas principais da discussão ao vivo foi o impacto da IA na eficiência e na produtividade dos desenvolvedores de software: os geradores de código com IA reduzem as tarefas repetitivas de programação e automatizam a detecção e correção de erros.

Por exemplo, como desenvolvedor de software, escrever código repetitivo para autenticação pode ser uma perda de tempo. Isso envolve criar funções de login e cadastro de usuário, configurar sessões e cookies, e gerenciar a criptografia de senhas. Um gerador de código baseado em IA pode ajudar bastante aqui, gerando o código necessário a partir das suas especificações. Basta indicar o tipo de autenticação (como e-mail + senha ou login social), o tipo de banco de dados a usar (como MySQL ou MongoDB) e outros parâmetros, e deixar que a IA faça o resto. Isso não só reduz as tarefas repetitivas, como também garante consistência e precisão no código, facilitando a manutenção e a escalabilidade a longo prazo.

E não é só uma questão de tempo! Ao fazer isso, os desenvolvedores conseguem focar em problemas de alto nível que exigem criatividade humana e interação com usuários reais e potenciais, o que melhora a qualidade do produto final. Além disso, as ferramentas de IA podem trazer insights e sugestões que ajudam os desenvolvedores a tomar decisões melhores e evitar erros, o que melhora ainda mais a velocidade e a eficiência do trabalho em equipe.

Em um momento da conversa, porém, começou a se debater se essa dependência das ferramentas de IA poderia levar a uma queda na qualidade geral dos desenvolvedores, já que eles poderiam ficar acomodados e depender demais de processos automatizados.

Um exemplo disso seria um desenvolvedor que depende demais de uma ferramenta de IA para análise e otimização de código. Ainda que a ferramenta consiga identificar oportunidades de melhoria, ela pode não entender totalmente o contexto e o propósito do código (e olha que nem mencionei as alucinações). Se o desenvolvedor implementar cegamente todas as mudanças sugeridas sem entendê-las a fundo, pode acabar introduzindo erros adicionais ou reduzindo a eficiência do código. Isso pode levar a uma queda na qualidade geral do trabalho dele. Por isso, é essencial que os desenvolvedores usem a IA como uma ferramenta, e não como substituto das suas habilidades e conhecimentos.

Responsabilidade e olhar crítico ao usar ferramentas de IA

Conforme a tecnologia de IA continua avançando, vemos cada vez mais ferramentas que usam aprendizado de máquina para gerar código. Essas ferramentas podem ser extremamente úteis para agilizar o processo de desenvolvimento (como falamos antes), mas é importante que os desenvolvedores as encarem com um olhar crítico. Nessa parte da transmissão ao vivo, falamos sobre a responsabilidade dos desenvolvedores ao usar ferramentas de IA, incluindo a importância de verificar e validar o código gerado pelo GPT e por outras ferramentas.

Já mencionamos que os desenvolvedores não devem copiar nem usar cegamente o código gerado por uma IA. Além dos problemas de qualidade, é essencial que os desenvolvedores verifiquem e validem o código gerado por IA, já que até pequenos erros ou inconsistências podem causar falhas de segurança ou outros problemas no futuro. Por exemplo, se um desenvolvedor copia o código ao pé da letra de uma ferramenta de IA sem verificar a precisão, pode acabar introduzindo uma vulnerabilidade no software sem perceber.

Um exemplo de falha de segurança causada por copiar código ao pé da letra vem do mundo dos dispositivos IoT. Em 2018, pesquisadores descobriram que muitos cadeados inteligentes no mercado eram vulneráveis a ataques porque usavam códigos de acesso idênticos, armazenados no firmware. Isso significava que qualquer pessoa que conhecesse o código conseguia destravar facilmente qualquer um desses cadeados. A causa raiz dessa vulnerabilidade era um único software, amplamente usado por vários fabricantes de cadeados, que tinha sido copiado ao pé da letra sem nenhuma modificação.

Para evitar isso, os desenvolvedores precisam revisar com cuidado qualquer código gerado por ferramentas de IA antes de integrá-lo aos seus projetos.

O Copilot do GitHub merece um espaço à parte, porque tem hora que parece que ele (ou ela... quem sabe?) conhece o seu código melhor do que você. Além das possíveis implicações legais (assunto para outra conversa), o Copilot pode ser extremamente útil ao sugerir blocos de código ou completar funções automaticamente. Ainda assim, cabe ao desenvolvedor garantir que essas sugestões façam sentido para o caso de uso específico, revisando coisas como nomes de variáveis, parâmetros de entrada e tratamento de erros, que o Copilot pode não levar em conta sozinho.

O surgimento de novas habilidades

A chegada da Inteligência Artificial (IA) trouxe preocupações sobre a substituição de empregos humanos, principalmente no desenvolvimento de software. Foi justamente isso que estávamos discutindo na comunidade NodeCO quando partimos para a discussão ao vivo. Mas a IA também pode melhorar nossos empregos e criar novos conjuntos de habilidades e áreas de especialização. Nesta seção, falamos sobre como a IA pode transformar as definições de trabalho e abrir espaço para novas habilidades.

Primeiro, escrever prompts eficazes é fundamental para trabalhar com modelos de IA como GPT ou Midjourney. Isso exige um entendimento profundo das capacidades e limitações do modelo de linguagem, além da habilidade de formular perguntas ou instruções de um jeito que traga a resposta desejada. É uma habilidade parecida com escrever boas buscas para os motores de pesquisa, só que com a complexidade extra de trabalhar com linguagem natural e resultados não determinísticos.

Com o crescimento dos modelos de linguagem de IA e das ferramentas, surgiu uma nova função: o Prompt Engineer. Esse profissional é responsável por criar prompts que guiem os modelos de IA a realizar tarefas ou gerar respostas específicas. Essas pessoas têm o entendimento profundo do qual falamos, mais até do que o domínio do problema em si. Como exemplo, durante a discussão ao vivo, mencionei várias vezes ver imagens fotorrealistas incríveis geradas pelo Midjourney, mas quando eu tento, só consigo resultados medianos, para dizer o mínimo. E o motivo são os prompts: os das imagens incríveis são extremamente específicos, feitos por pessoas que sabem escrevê-los e também entendem de fotografia, sem deixar nada ao acaso.

Conforme a IA se torna cada vez mais presente no desenvolvimento de software, podemos esperar ver novas áreas de especialização surgindo no campo. Os desenvolvedores, por exemplo, podem se especializar na construção de interfaces conversacionais ou no design de prompts (talvez reutilizáveis como templates) para casos de uso específicos.

Os desenvolvedores de software vão precisar adotar novos conjuntos de habilidades conforme eles surgem, para se manterem relevantes nessa indústria que evolui tão rápido. Nem todo mundo vai virar Prompt Engineer, mas ter um entendimento básico de como trabalhar com modelos de linguagem de IA vai ser essencial para muitas funções no desenvolvimento de software.

Conclusão

Nessa discussão ao vivo, revisamos o impacto da IA no desenvolvimento de software: como os geradores de código podem aumentar a eficiência e a produtividade ao reduzir tarefas repetitivas e automatizar a detecção e correção de erros, mas também o risco de os desenvolvedores ficarem acomodados se dependerem demais dessas ferramentas. O segredo é usá-las com um olhar crítico, como uma ferramenta e não como substituta das suas próprias habilidades e conhecimentos.

Também falamos sobre como a IA está moldando novas funções, como a de Prompt Engineer, e por que os desenvolvedores vão precisar somar essas habilidades para se manterem relevantes numa indústria que muda rápido. No fim das contas, a ideia é abraçar essa mudança com responsabilidade, pensamento crítico e vontade de continuar aprendendo.

Se essa análise te deixou com mais perguntas do que respostas, aqui a gente aprofunda em como se adaptar à era da IA: a chave para o sucesso dos desenvolvedores.

ESCRITO POR

Desarrollador de software con gafas de sol y sosteniendo un patito de goma de juguete.
Darío MacchiDeveloper Advocate @Howdy
COMPARTILHAR