No dia 4 de junho, nos encontramos com a comunidade React em Buenos Aires. Fomos sponsors do React BA Meetup na La Maquinita, um espaço pensado exatamente para esse tipo de encontro, e a sala ficou completamente cheia. Trinta pessoas ficaram até o final, numa noite que começou com empanadas e cerveja gelada e terminou com duas palestras que deram bastante pano pra manga.
Um backend que reage tão rápido quanto seu frontend
Raúl Ahumada, da OneInfo Consulting, abriu a noite com uma pergunta que qualquer pessoa que já construiu uma aplicação em tempo real já se fez: por que o backend não pode ser tão reativo quanto o frontend? A palestra dele girou em torno do Convex, um banco de dados pensado exatamente para resolver esse problema.
A ideia central é fácil de explicar e difícil de conseguir com as ferramentas tradicionais: quando duas pessoas trabalham no mesmo dado ao mesmo tempo, a atualização precisa aparecer na hora, sem o delay de uma requisição manual que quebra a experiência. Raúl mostrou isso ao vivo com um chat feito em React, conectado ao Convex, se atualizando sem uma única chamada a uma API tradicional. Quando dois usuários escreviam ao mesmo tempo, a mudança aparecia instantaneamente nas duas telas.
Como em toda demo ao vivo, teve um momento de caos técnico: telas que não compartilhavam, microfone que cortava, um pouco de improviso de última hora. Nada que um desenvolvedor senior já não tenha vivido antes numa daily ou numa demo pra cliente. A sala levou na esportiva e Raúl seguiu sem perder o fio da meada.
Planejar antes de codar, mesmo quando a IA faz o trabalho pesado
A segunda palestra foi de Darío Macchi, Dev Advocate na Howdy, e tratou de um problema que qualquer equipe que usa IA para gerar código conhece bem: quando você dá pouco contexto pra um modelo, o modelo decide por você. E essas decisões, tomadas em silêncio, aparecem depois num pull request cheio de feedback inesperado.
Darío contou como a equipe dele começou a resolver isso criando pequenos documentos de contexto antes de atribuir uma tarefa, tanto pra uma pessoa nova na equipe quanto pra um agente de IA. Não se trata de documentar o projeto inteiro, mas de escrever o que é específico: o que tocar, o que não tocar, como os dados fluem, onde as decisões já foram tomadas. Esse hábito, que começou como uma forma diferente de fazer onboarding, terminou gerando algo que a equipe nunca tinha tido: documentação real do projeto, escrita porque era necessária e não porque alguém pediu.
A palestra terminou com uma ideia que ficou na cabeça de todo mundo: separar melhor o trabalho de pensar do trabalho de executar, para que de dia os humanos planejem e de noite a IA possa avançar sozinha, dentro de limites bem definidos. Ainda é uma ideia em construção, mas a sala entendeu perfeitamente pra onde isso aponta.
O que a comunidade levou pra casa
90% das pessoas que estiveram naquela noite não conheciam a Howdy antes do evento. Pra nós, esse é exatamente o ponto de participar de encontros assim. Não se trata de vender nada, se trata de estar onde a comunidade já está, escutar o que interessa pra ela e contribuir com algo real pra conversa.
O organizador do React BA nos escreveu no dia seguinte para agradecer a organização em conjunto. Ele falou de uma audiência engajada, boa presença e vontade de continuar fazendo coisas juntos, seja através do React Buenos Aires ou de qualquer outra ideia que apareça.
Nós ficamos com a mesma sensação. Uma palestra técnica que gera perguntas de verdade e uma galera que fica conversando depois do evento já dizem bastante sobre como foi a noite. Já estamos pensando no próximo encontro.


